top of page

Um dos mais estudados imperadores do Ocidente, Napoleão Bonaparte não abandonava suas leituras nem mesmo durante as mais duras batalhas de que participava. Nesta obra, Antoine Guillois relata como foram constituídas as bibliotecas de Napoleão e como se dava a seleção de suas leituras, revelando um leitor que, além de líder contraditório, era um amante incontestável dos livros e zeloso de suas coleções.

 

A Coleção Bibliofilia nasce em um momento de profundas mudanças no mundo do livro e do impresso, as quais tocam tanto a produção editorial quanto as formas de transmissão da linguagem escrita e seus mecanismos de recepção. Porém, o amor ao livro permanece. Entre colecionadores experimentados e jovens amantes da leitura, esse amor tem se convertido em movimentos de valorização da bibliodiversidade. Conhecer para valorizar. Valorizar para cuidar e preservar: não poderia ser outro o espírito que guia esses preciosos livros de bolso.

Em As Bibliotecas Particulares do Imperador Napoleão , Antoine Guillois compõe um retrato bastante original e pouco conhecido de uma figura épica. E que jamais descuidou das leituras e dos livros, mesmo (ou, talvez, sobretudo) nos momentos mais inglórios de uma jornada intensa. Ao ler este relato emocionante do processo de constituição das bibliotecas e de seleção das leituras de Napoleão, não raro de livros que eram encomendados durante as batalhas, mal se advinham as imagens e interpretações complexas e por vezes contraditórias que a história lhe reservou: de salvador da Revolução a Imperador, herói da França; de estrategista, homem de grandes batalhas, a conquistador e terror da Europa; ou herói trágico da Ilha de Santa Helena. Passados duzentos anos, Napoleão é objeto de debates, constrangimentos e defesas apaixonadas, seja por parte de acadêmicos, homens de Estado ou do próprio povo que ora o ama, ora o condena. Antoine Guillois compõe um retrato à prova de polêmicas. O que prevalece nesse belo ensaio destinado aos amantes dos livros é o leitor e bibliófilo dedicado e cioso de suas coleções.

Marisa Midori Deaecto | Plinio Martins Filho

 

Antoine Guillois nasceu em Limoges, em 1855, e faleceu em Auxerre, em 1913. Foi chefe do escritório central do Ministério de Obras Públicas e homem de letras prolífico, tendo publicado diversas obras sobre a história de seu país. Sobre Napoleão Bonaparte publicou, além deste belo opúsculo vertido para o português, Napoléon, l’Homme, le Politique, l’Orateur. D’Après sa Correspondance et ses Œuvres (Paris, Perrin et Cie., 1889, 2 tomos).

Marisa Midori Deaecto é professora livre-docente em História do Livro da Escola de Comunicações e Artes ( ECA - USP ) e doutora Honoris Causa pela Universidade Eszterházy Károly, Eger (Hungria). Império dos Livros – Instituições e Práticas de Leituras na São Paulo Oitocentista (Edusp/Fapesp, 2011),  reeditado em 2019, recebeu o prêmio Jabuti da CBL (1o lugar em Comunicação) e o Prêmio Sérgio Buarque de Holanda, outorgado pela Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro na categoria melhor ensaio social. Publicou, recentemente, História de um Livro. A Democracia na França, de François Guizot (Ateliê Editorial, 2021).

Plinio Martins Filho  é doutor em editoração pela USP e atua no mercado editorial há mais de 35 anos. Foi professor de Editoração na Anhembi Morumbi e leciona no curso de Editoração na ECA-USP. Trabalhou durante dezoito anos na Editora Perspectiva. Trabalhou como diretor-presidente da Edusp. Trabalha na Biblioteca Brasiliana Mindlin.

Lincoln Secco nasceu em São Paulo em 1969. É professor livre-docente de História Contemporânea na Universid