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“herdeira de todas as mães e de todas as putas”
Eliane Robert Moraes

Língua solta foi parar até no ai, calma. Misturo com a minha saliva e deixo arder em mim o desejo. Como partir da língua para uma orelha? Antes passamos pelas napas, ventas. Antes demoramos muito em detalhes ínfimos, na curva dos zoinho por exemplo. Antes de uma orelha pode-se sentir o cio das axilas até. Pois fique sabendo: o caminho que estas páginas nos oferecem é o de uma loba boladona correndo veloz em direção à utopia delas das manas monas queer com vulvas elétricas cintaralhas vassouras mágicas rendas kinky cães araras gatos & o que mais a gente quiser. Ufa, que bom. “é um aval essa voz”, este livro. Uma autorização. A própria lesma gastando a borda da vida, ou sete corpos lambendo as gotas dessa água toda. Fartura. Não seca, felizmente: permanecemos lubrificando com espanto os serões das províncias. Oremos, senhoras, senhorys e senhorus. Oremos antes, durante e após a leitura deste manual sensorial, desta cartografia dos afetos meio errados. Eu fico jaqueiro; aberto em mil sementes; entre poemas esguios e palíndromos; entre bombas por explodir e outras já escancaradas. O território que Flora oferta em Língua solta é ao mesmo tempo pontiagudo e constrangedor, profético e erótico. Sem papas nessa língua, bebê! Hoje é dia de maldade. São retratos de uma linguagem que se constrói nos espaços fronteiriços da migração, do gênero e da sexualidade e que caminha para um novo centro descentralizado. Hoje é dia de verdade, bebê, quer ouvir? “perdeu, tigrão/o trono agora/é das queens.”
É um alento ver uma nova poeta na cena oferecendo tanto insumo, contribuindo tanto. Que bom é ver a chegada deste livro, mas também a estruturação de uma poeta que veio muito bem alimentada pelas suas tetas, uma poeta que vem muito bem instrumentalizada pelos seus passeios nas línguas que lambem ou não. Essas todas que falam, que nos dão orientações num bairro desconhecido, que nos dão o telefone numa noite de tesão, que nos mordem ou coçam ou… essas línguas todas que fazem o diálogo e todas essas que passam por nós e moram nos nossos versos. Língua que se solta… língua que se lembra!

João Innecco

 

 

Flora Lahuerta é mestre em Geografia Humana, antropóloga acidental, pesquisadora poliglota, produtora de filmes e da vida, cuidadora de pessoas humanas e não humanas, colecionadora de histórias e fiel seguidora de Eros. Já foi dj em São Paulo e criou cabras no Alentejo. Atua no trânsito entre palavras, sons e imagens, entre o campo e a cidade, entre Brasil e Portugal. Atualmente vive em Lisboa, onde finalmente se assume como poeta e escritora. Língua solta é o seu primeiro livro de poemas.

 

Detalhes do produto

  • Editora ‏ : ‎ Editora Urutau; 1ª edição (2023)
  • Idioma ‏ : ‎ Português do Brasil
  • Capa comum ‏ : ‎ 100 páginas
  • isbn: 978-65-5900-527-7
  • Dimensões ‏ : ‎ 13x16,5 cm

Língua solta - Flora Lahuerta

SKU: 9786559005277
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