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Apesar de ser um especialista em criar uma ambientação imersiva do sertão mineiro e das suas figuras peculiares, João Guimarães Rosa teve uma carreira um tanto quanto peculiar e diversa. Além de ter criado uma projeto linguístico completamente novo (“o estilo roseano”) e ter modificado a língua brasileira e a forma como olhamos para ela, Rosa também foi diplomata. De 1938 a 1942, trabalhou em Hamburgo, na Alemanha, e durante suas viagens pelo mundo em função do seu cargo, absorveu o máximo de cultura que conseguiu. O resultado desse trabalho pode ser visto de várias maneiras - tanto no jeito que ele escreve pluralmente sobre personalidades distintas e complexas, e até mesmo no livro Zoo, lançado pela Global Editora. O que faz Zoo um livro como nenhum outro, é a experiência. Com projeto gráfico criado por Roger Mello, também autor de Espinho de arraia e Curupira, a obra tem um pequeno rinoceronte na sobrecapa, cujo corpo é ilustrado como listras. Tirando a sobrecapa e pegando o livro em si, o leitor percebe que as listras simulam, na verdade, uma jaula de zoológico. Desbravando ainda mais o projeto de Roger, o resto da narrativa se desenvolve como se estivéssemos entrando e passando por vários zoos, com ilustrações vivas e páginas que vão abrindo e se sobrepondo. Inicialmente, os trechos que estão presentes no livro estavam em Ave, palavra, com capítulos intitulados apenas de “zoo” e parênteses que continham os lugares em que