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Venho hoje contar-vos uma história, dessas que o tempo esqueceu numa gaveta e que só agora, meio século depois, vem a lume para nos fazer rir e pensar. Falo-vos de "O Sedutor do Sertão", um tesouro inédito do nosso grande Ariano Suassuna.

 

Imaginem o ano de 1966. Suassuna, mergulhado na escrita do monumental "A Pedra do Reino", é convidado a escrever uma história para as telas de cinema. Com a urgência do génio, ele escreve esta narrativa em apenas vinte e três dias. Mas os ventos do destino sopram noutra direção: o filme não se faz por falta de recursos, e o manuscrito vai dormir o sono dos justos nos arquivos do autor. Só em 2020, seis anos após a sua partida, é que a família e a editora Nova Fronteira decidiram dar ao mundo esta preciosidade.

E que preciosidade!

 

No centro da trama está Malaquias Pavão, um cavaleiro sertanejo tão astuto quanto engraçado, irmão bastardo do próprio Quaderna, de "A Pedra do Reino". Ao lado do fiel companheiro Miguel Biôco, Malaquias percorre o sertão da Paraíba dos anos 1930, num Brasil fervilhante de tensões políticas. A sua arte? Vender "garrafadas" milagrosas (que não passam de cachaça sem selo) e folhetos de cordel, sempre a um passo de enganar a polícia, ludibriar os cangaceiros e passar a perna no sócio, o terrível Sinfrônio Perigo.

 

Mas o seu grande golpe, o verdadeiro "contrabando" do seu coração, é conquistar a amor de Silviana dos Braços Brancos, a esposa do dito Sinfrônio. Tudo isto se passa ao som da Guerra de Princesa, um conflito político real que dividiu o sertão entre as cores verde e encarnada, forçando o nosso herói a vestir-se de azul para fingir neutralidade – uma crítica sagaz e atemporal à polarização que Suassuna transforma em pura comédia.

 

Aqui, meus amigos, reside a magia deste livro. É o humor inteligente de Suassuna no seu melhor: um humor que é arma de crítica social, escudo contra as mazelas e celebração da esperteza popular. Reconhecerão nele o espírito de João Grilo e Chicó, a ironia do "Auto da Compadecida", e a profundidade épica da sua obra maior. As ilustrações, a cargo do seu filho Manuel Dantas Suassuna, são um capítulo à parte, trazendo para as páginas a estética do cordel e da gravura.

 

Para o leitor português, "O Sedutor do Sertão" é mais do que um romance; é uma janela vívida para o Brasil profundo, para a sua linguagem rica, a sua história conturbada e a sua capacidade inesgotável de rir de si próprio. É literatura de primeira água, com a assinatura de um dos maiores nomes das letras brasileiras.

 

Uma obra-prima que esteve perdida e agora foi encontrada. Para fãs da boa literatura e do bom humor.

 

Detalhes do produto

  • Editora ‏ : ‎ Nova Fronteira
  • 1ª edição (20 fevereiro 2020)
  • Idioma ‏ : ‎ Português do Brasil
  • Capa comum ‏ : ‎ 248 páginas
  • ISBN-13 ‏ : ‎ 978-8520944776
  • Dimensões ‏ : ‎ 23 x 15.2 x 1 cm

O Sedutor do Sertão - Ariano Suassuna

SKU: 9788520944776
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