Compreender o ecofeminismo como política, e não como identidade, contribui para visibilizar e desessencializar as lutas camponesas, quilombolas, indígenas, ribeirinhas e das comunidades afetadas pela expansão do capitalismo e do patriarcado nos territórios do Sul Global. Trata-se de uma política contrária à morte, à exploração e à acumulação. No centro estão as práticas de cuidado, que assumem caráter revolucionário ao produzir epistemologias situadas, além de alternativas concretas, capazes dedefender a vida em sentido amplo. As reflexões de Ariel Salleh rompem com a linearidade evolutiva darwiniana e marxista, questionam a dicotomia homem/natureza e desmontam os binarismos coloniais que sustentam a modernidade ocidental. Um livro essencial para fortalecer as resistências populares que, hoje, se mostram mais necessárias que nunca.
Enquanto filósofo dialético e ativista social e ecológico, encontrei em Ecofeminismo como política um guia para o papel integrador do ecofeminismo, e não apenas na ecologia política mas em qualquer política ecológica transformadora — sobretudo no crescente movimento ecossocialista global. […] nas últimas décadas, uma vasta e nova história de lutas de base globais por justiça social e ecológica está sendo conduzida por trabalhadoras do cuidado — mães e avós, camponesas, povos indígenas. Hoje, vemos avanços significativos nesse processo histórico. Por exemplo, o movimento pelo decrescimento na Europa compreendeu a relevância fundamental da revolução dos cuidados. Em Rojava, vários milhões de pessoas mesclaram princípios ecofeministas de afirmação da vida e tradições locais profundamente arraigadas para orientar suas milícias de mulheres e assembleias comunitárias. Agora, a “interseccionalidade” é um tema importante na esquerda, reverberando a visão dialética de Salleh: diversas formas de opressão condicionam profundamente umas às outras, e sexo e gênero estão sistemicamente interligados a outras formas de dominação e exploração na vida de mulheres no mundo inteiro. Essa perspectiva revela como as atitudes e os valores do patriarcado capitalista impregnam cada aspecto do todo social, dando origem a um Estado patriarcal, a uma ciência patriarcal e, infelizmente, até mesmo a radicalismos patriarcais.
— John Clark, no Prefácio
Vinte anos após o lançamento, esta edição de aniversário de Ecofeminismo como política, de Ariel Salleh, compreende percepções muito necessárias à mudança de paradigma da globalização patriarcal e capitalista para um mundo de não violência. […] O capitalismo é generificado, racializado e contrário à natureza, tanto nos pressupostos culturais quanto nos instrumentos econômicos. Seu raciocínio antropocêntrico nega a criatividade da natureza e, portanto, os Direitos da Mãe Terra. Ao mesmo tempo, as mulheres, os povos indígenas, os agricultores e os trabalhadores camponeses são considerados menos que humanos. […] Considerando que a pobreza gerada pelas economias de mercado globais enfraquece todas as sociedades, as alternativas locais proporcionadas pelas mulheres, por meio de seus cuidados de proteção à biodiversidade, oferecem soluções reais para a crise alimentar e nutricional. Como aprendi ao longo de 45 anos de ativismo ecológico e pesquisas com mulheres, e em trinta anos de construção do movimento Navdanya — que significa Nove Sementes —, as policulturas domésticas são mais produtivas que as monoculturas. No Sul Global, cultivos familiares baseados no trabalho feminino fornecem a maior parte dos alimentos consumidos no mundo. […] Em busca de soluções reais para problemas reais enfrentados pelo planeta e pelas pessoas, são os conhecimentos subjugados e a coprodução sutil e não violenta com a natureza que indicam o caminho para a sobrevivência humana, a paz e o bem-estar no futuro. Em seu desafio aos ecossocialistas e aos liberais pós-modernos, Ariel Salleh chama isso de “materialismo corporificado”.
— Vandana Shiva, no Prefácio
Um livro essencial, que mudou a forma de entender a relação entre gênero e ecologia e que possibilita — hoje mais do que nunca — novos caminhos tanto para o feminismo quanto para o ecossocialismo.
— Stefania Barca
Ariel Salleh nasceu em 1944 em North Adelaide, Austrália. É uma das fundadoras da Global University for Sustainability, professora visitante na Universidade Federal da Bahia (UFBA), Brasil, e na Universidade Nelson Mandela, África do Sul, e pesquisadora associada em economia política na Universidade de Sydney, Austrália. Lecionou ecologia social na Universidade do Oeste de Sydney e deu palestras em diversas instituições, incluindo Universidade de Nova York, ICS, Manila, Universidade de York, em Toronto, Canadá, e Universidade de Lund, na Suécia. Seu trabalho teórico se baseia na experiência de ativistas em lutas antinucleares, pela captação de água, proteção da biodiversidade e apoio a alternativas comunitárias ecossuficientes para mulheres da Ásia e do Pacífico. Salleh foi cofundadora do Movement Against Uranium Mining na Austrália e do Partido Verde australiano. Atuou também no Comitê de Ética em Tecnologia Genética do governo australiano, no Comitê de Pesquisa para o Meio Ambiente e a Sociedade da Associação Sociológica Internacional e em vários conselhos editoriais de periódicos científicos. É autora de Eco-Sufficiency and Global Justice: Women Write Political Ecology (2009) e de centenas de textos publicados em revistas como Capitalism Nature Socialism, Globalizations, Environmental Ethics, Arena, Journal of World Systems Research, New Left Review, Organization and Environment, Environmental Politics e The Commoner. É também coorganizadora de Pluriverso: um dicionário do pós-desenvolvimento (Elefante, 2021).
Detalhes do produto
- Editora : Elefante; 1ª Edição; 4 março 2026
- Idioma : Português do Brasil
- Número de páginas : 456 páginas
- ISBN: 9786560081161
- Dimensões : 13.5 x 3 x 21 cm
Ecofeminismo como política: a natureza, Marx e o pós-moderno - ARIEL SALLEH
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