O sionismo não é apenas uma ideologia política autoritária, mas uma catástrofe topológica, uma tentativa de fixar o ritmo que bloqueia o acesso e congela a diferença em formas identitárias, conduzindo ao colapso da bifurcação que se chama mundo
Kabbalah antision
Vivemos um momento sombrio em que o Estado de Israel não apenas perpetra o extermínio sistemático do povo palestino, mas também comete um suicídio espiritual, político e ontológico, efetivando uma traição profunda à herança viva do hebraísmo. Neste contexto histórico e ético, é preciso reabrir o campo judaico a partir de chaves heréticas, libertárias e proféticas. Kabbalah antision parte da hipótese segundo a qual há um hebraísmo que não se deixou capturar nem pela ortodoxia rabínica nem pela razão de Estado sionista. Um hebraísmo sem essência, sem povo, sem templo que desorganiza os centros de poder do sionismo ao desconstruir a identidade como teologia política, desafiar a soberania enquanto forma de organização fascista e propor leituras insurgentes da tradição. O hebraico não é uma linguagem de conceitos. Não serve para pensar, e sim para acessar. Não pertence à metafísica nem à lógica das essências. Não diz o mundo; o atravessa. Não nomeia a verdade; curva-se diante de sua infinita defasagem, revelando uma arquitetura de presença sem transcendência. Nele não há sujeito nem espírito, só membrana e fricção. A maior expressão da cultura hebraica radical, a kabbalah, não expressa ideias, preferindo configurar ritmos de passagem. Fala de algo anterior e mais disperso do que o Ser. Não oferece um sistema moral, tampouco uma narrativa histórica, somente uma cartografia de tensões, uma curvatura de acesso anterior a toda instituição.
Andityas Soares de Moura Costa Matos é Doutor em Direito e Justiça pela Universidade Federal de Mnas Gerais (UFMG). Realizou estágio Pós-Doutoral em Filosofia do Direito na Universitat de Barcelona e é também Doutor em Filosofia pela Universidade de Coimbra. Atua como Professor Associado de Filosofia de Direito e discipplinas afins na Faculdade de Direito e Ciências do Estado da UFMG. Autor de Filosofia Radical e utopias da inapropriabilidade: uma aposta an-árquica na multidão (Fino Traço, 2015), e coautor, com Francis García Collado, de O vírus como filosofia/A filosofia como vírus: reflexões de emergência sobre a COVID-19 (GLAC, 2020), entre outros.
Yochanan Schimmelpfennig, nascido na Polônia em 1962, é um filósofo independente e judeu sefardita. Estudou Filosofia, Ciência Política e Ciências Sociais na Universidade de Varsóvia e lecionou Filosofia em Toruń na década de 1980. Autor de mais de quarenta publicações, desenvolveu o modelo Possest-PQF, uma teoria de filtragem de intensidade que abrange ontologia, percepção, biologia e informação. Seu trabalho se desenvolve por meio de séries conceituais, em vez de disciplinas acadêmicas.
Detalhes do produto
- Editora : sobinfluencia edições ; 1ª edição ( agosto 2025)
- Idioma : Português do Brasil
- Capa comum : 160 páginas
- ISBN: 9786584744578
- Dimensões : 11 x 1 x 19 cm
Kabbalah Antision - Andityas Matos, Yochanan Schimmelpfennig
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