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Com o cotidiano da lavanderia onde trabalha como pano de fundo, uma mulher apaixonada por roupas e obcecada pela própria aparência revisita memórias enquanto se vê envolvida na vida de seus clientes. Em meio a fofocas, comentários maldosos, fantasias eróticas e questionamentos sobre religião, sexualidade, casamento e maternidade, a sua voz percorre o humor, a lucidez e o delírio. Narradora de olhar afiado para a existência alheia, ela tece uma tensão constante entre realidade e invenção.
Se não me falha a memória aborda temas como o desejo na velhice, o ressentimento, a solidão e a deterioração do corpo, equilibrando aspereza e lirismo. Uma narrativa que atravessa o universo íntimo e perturbador de uma mulher na sua última semana de vida.

 

É um alívio quando uma voz dissonante rompe o coro da literatura. A narradora de Se não me falha a memória tem uma voz para lá de única. Sarcástica, aguçada, obscena, ácida e, às vezes, cruel. Uma voz que rompe toda e qualquer idealização do feminino, ainda mais quando levamos em conta a sua idade, algo em torno dos setenta anos.
É do alto dessas décadas que ela assiste aos clientes entrando e saindo da lavanderia onde trabalha. As conversas de balcão e as roupas, com seu caráter sugestivo, servem de pretexto para que ela vá contando as suas memórias e fazendo um balanço de sua vida.
Casada com um cara que não amava, mãe de duas filhas sem nunca ter desejado ser mãe. Gostava de sexo, mas não com o marido. E não se furtava a fazer o que queria, desde que escondido, às vezes quebrando a cara e voltando para trás do fogão, como em um dos momentos mais belos e comoventes do livro.
“Queria ser uma mulher com uma coleção de chapéus”, a narradora revela, mostrando que o corpo pode murchar; os sonhos, nunca. Quantas mulheres assim conhecemos, sem saber que conhecíamos?
Fernanda Ávila nos dá a chance de viajar nesse íntimo, e acerta duas vezes ao apostar numa honestidade implacável e corrosiva. Mesmo quando o romance dá uma guinada, que leva a narradora a uma situação-limite, seu humor não arrefece, suas tiradas não perdem o tino. Uma voz singular e, ao mesmo tempo, a voz de um coletivo.

Giovana Madalosso

 

Fernanda Ávila é brasileira, de Curitiba. Jornalista, escritora e editora, vem trabalhando desde 2023 com projetos e eventos ligados à literatura contemporânea feita por mulheres. Tem contos publicados em revistas e antologias. Se não me falha a memória é seu primeiro romance. Vive em Lisboa, onde organiza oficinas, encontros e projetos literários que aproximam leitores e escritoras.

 

Detalhes do produto

  • Editora ‏ : editoraurutau; 1ª edição;  2026
  • Idioma ‏ : ‎ Português do Brasil
  • Capa comum ‏ : ‎ 64 páginas
  • ISBN: 9788571054479
  • Dimensões ‏ : 13x16,5 cm‎ 

Se não me falha a memória - Fernanda Ávila

SKU: 9788571054479
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