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«A noite era de uma grande e escura delicadeza.»

Quando A maçã no escuro é publicado, em 1961, Clarice Lispector afirma que é o

seu melhor romance até então, num comentário que será corroborado, ao longo de

décadas, pelos leitores e pela crítica.

 

«Era um lamento sem tristeza. O homem estava no coração do Brasil. E o silêncio fruía a si mesmo. Mas se a brandura era o modo como se ouvia a noite, para a noite a brandura era a sua própria aguda espada, e na brandura a noite toda estava contida.»

Dividido em três capítulos e girando em torno de três personagens — Martim, Vitória e Ermelinda —, este é um livro primorosamente construído em torno de mistérios, alegorias e ligações paradoxais.

Martim está em fuga de um crime que acredita ter cometido, e mergulha na noite, na selva, nas sombras, avançando entre o medo e o fascínio. As primas Vitória e Ermelinda vivem numa propriedade remota e silenciosa, e o seu quotidiano é sobressaltado pela chegada inesperada de Martim, que ali ficará a trabalhar. Um homem que encerra um enigma e cujo espírito é habitado pela escuridão. Um homem em busca de «saber qual é a ação de um homem». Num romance profundamente metafísico, Martim, alter ego de Clarice Lispector, parece estar sempre diante de uma quase-epifania: vive a sua vida como destino e encontra no instante antes da queda uma hipótese de salvação.

«As personagens de A maçã no escuro comunicam na fronteira da incompreensão, sabendo as coisas antes de as entenderem. Estabelecem relações mudas e já mecanizadas, vivendo num acordo cujos elos lhes escapam. Dir-se-ia que, ocultando-se, se pressentem, pois ‘quando a gente se revela, os outros começam a nos desconhecer’.»
Ana Cláudia Santos, nota de apresentação

«Lispector usa os combates interiores das personagens de A maçã no escuro para nos conduzir ao seu argumento: ainda que possamos racionalizar o nosso comportamento, não sabemos explicar, no fim de contas, por que razão pensamos como pensamos ou agimos como agimos.»
Chicago Review of Books

«Clarice Lispector é enigmática, mística, contraditória e filosófica. Mesmo que comece em território familiar […], rapidamente se desvia para um reino em que os sons se tornam discordantes e a paisagem se faz indiscernível, assumindo tonalidades imprevistas.»

The New York Times

«Uma das maiores escritoras do último século.»
The Guardian

«As suas imagens deslumbram até quando o seu significado é mais obscuro, e quando escreve sobre aquilo que a incomoda é a encarnação da lucidez.»
The Times Literary Supplement

«Clarice Lispector tinha uma inteligência lapidar, um instinto visionário e um sentido de humor que ia desde o deslumbramento ingénuo até à comédia maliciosa. Um corpo literário impressionante que não tem par na literatura.»
Rachel Kushner

«Uma escritora verdadeiramente notável.»
Jonathan Franzen

«Uma das escritoras mais misteriosas do século XX.»
Orhan Pamuk

«Brilhante e inclassificável. Elegante, culta, temperamental, Lispector é uma artista emblemática que pertence ao mesmo panteão de Kafka e Joyce.»
Edmund White

 

Clarice Lispector - A 10 de dezembro de 1920, nasce Clarice Lispector, que viria a tornar-se figura maior da literatura do século XX. Recebe, ao nascer numa aldeia da Ucrânia, o nome «Haia», que em hebraico significa «vida». No contexto de guerra civil e das perseguições à comunidade judaica — os pogroms —, a família decide emigrar: em 1922, Clarice Lispector aporta no Nordeste do Brasil, acompanhada pelos pais e as duas irmãs. Mudam de nome, começam uma nova vida.
Em 1939, Clarice Lispector vai estudar Direito no Rio de Janeiro. No ano seguinte, começa a trabalhar como jornalista e publica, numa revista, o primeiro conto. Não mais pára de escrever. Perto do coração selvagem, o romance de estreia, sai em 1943, ano em que a escritora se casa com um diplomata brasileiro, seu colega de faculdade. Dez anos mais tarde, este romance sai em França, com capa de Henri Matisse, inaugurando um percurso internacional fulgurante.
A partir de 1944, Clarice Lispector vive em Nápoles, Berna, Torquay e Washington, acompanhando o marido na carreira diplomática. Regressa ao Brasil em 1959, após o divórcio. Morre em 1977, no Rio de Janeiro.
Escritos ao longo de quase quatro décadas, de Clarice Lispector estão publicados no Brasil cerca de vinte livros de ficção (entre romance e conto), vários volumes de crónicas, correspondência e artigos, e cinco livros para a infância. Autora de uma obra de incomparável relevância – publicada em Portugal, a partir de 2025, pela Companhia das Letras – e acolhida nas mais prestigiadas editoras de todo o mundo, Clarice Lispector é um ícone da literatura.

 

Detalhes do produto

  • Editora ‏ : ‎Companhia das Letras; 1ª edição (Setembro de 2026 )
  • Idioma ‏ : ‎ Português do Brasil
  • Capa comum ‏ : ‎ 408 páginas
  • ISBN: 
    9789895891283
  • Dimensões ‏ : ‎ 148x230x26mm

A Maçã no Escuro - Clarice Lispector

SKU: 9789895891283
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