Preparem-se. Este não é um livro para espíritos débeis, nem para quem busca um consolo fácil à beira-lareira. "Degenerado", da argentina Ariana Harwicz, é um mergulho sem rede nas profundezas mais turvas da mente humana, uma experiência literária que é, ao mesmo tempo, um assalto aos sentidos e uma provocação à nossa moralidade complacente.
Esqueçam os narradores simpáticos. Aqui, somos confinados ao monólogo claustrofóbico e labiríntico de um homem idoso, filosoficamente de direita, que enfrenta um julgamento por um crime sexual contra uma criança. Através de um fluxo de consciência visceral e caótico — a marca registrada de Harwicz —, somos obrigados a espreitar por um buraco de fechadura para um abismo.
O réu justifica-se, culpa os pais, a sociedade, e desfia memórias fragmentadas num discurso repleto de preconceitos e contradições. A sua voz é verborrágica, por vezes poética, sempre perturbadora. A autora, comparada a Virginia Woolf e Clarice Lispector pela coragem de explorar o inefável, não nos pede empatia. Pede-nos coragem. Coragem para olhar para o lado mais sombrio do pacto social e questionar: onde começa o monstro e onde termina o homem?
Harwicz, uma das vozes mais radicais e aclamadas da nova literatura argentina, autora da celebrada "Trilogia Involuntária", não escreve para confortar. Escreve para desestabilizar, para cortar pela hipocrisia. Ler "Degenerado" é uma experiência única e desconcertante — sairão dela diferente, com um nó no estômago e perguntas difíceis a ecoar na mente.
Para leitores de Samanta Schweblin, Mariana Enríquez ou para quem não tem medo de que a literatura provoque verdadeiras convulsões na alma.
Detalhes do produto
- Editora : EDITORA INSTANTE
- 1ª edição (8 abril 2022)
- Idioma : Português do Brasil
- Capa comum : 128 páginas
- ISBN-13 : 9786587342269
- Dimensões : 13.5 x 1.5 x 20.5
Degenerado - Ariana Harwicz
Até 3 dias úteis.




































