Olinda, 1789. Num cárcere conventual, uma mulher chamada Isabel pega na pena. Não para rezar, mas para acusar. A sua carta é endereçada à destinatária mais improvável: D. Maria I, a Rainha de Portugal a quem a história tratou por "Louca". No gesto de uma suposta louca que escreve a outra, Maria Valéria Rezende tece uma narrativa de fôlego, um romance epistolar que é um processo judicial contra a colonização e um manifesto feminista avant la lettre .
Aqui, a linguagem do século XVIII não é um artefacto museológico. É uma ferramenta afiada. Rezende, mestre da palavra e das letras – freira agostiniana, educadora popular, vencedora do Jabuti e do Casa de las Américas –, funde o português setecentista com a cadência do presente . O resultado não é um passado empoado, mas um espelho. Através das desventuras de Isabel e de sua senhora, Blandina, vemos a violência dos homens da Coroa, a hipocrisia das leis, a clausura como destino para quem ousa fugir ao padrão .
Ler "Carta à Rainha Louca" é ouvir uma voz que a história tentou silenciar. É um livro que pertence à linhagem das grandes autoras latino-americanas que reescrevem a História a partir das suas margens. Frei Betto chamou-lhe "uma revelação em nossas letras" . Na sua estante, este romance dialogará com as questões mais prementes do nosso tempo: justiça, género, e o direito à própria voz.
Ficha Técnica
- ISBN: 978-989-9019-03-4
- Edição: Primeira
- Ano: 2022
- Formato: 12,5×19
- Páginas: 208
- Encadernação: Brochura
Carta à rainha louca - Maria Valéria Rezende
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