«Editar os contos de Orlanda Amarílis é ir ao interior de um vulcão e escutar a lava de quem, ao longo de tantas vidas, foi feito de silêncio. O apagamento de vários anos que desejamos que se subverta é não só aquele que recai sobre a obra da autora editada: são as vidas ficcionadas que desfilam e são mapeadas em seus contos, desfazendo fantasmas e vazios para compreender uma raiz que, afinal, é mesmo impossível de arrancar. Orlanda Amarílis descreve os lugares e as personagens pela linguagem, fá-las serem absolutamente transversais, imaginadas mas reais. Os apontamentos de palavras em crioulo cabo-verdiano não formam frases, antes expressões idiomáticas. Ao longo das leituras, perguntámo-nos muitas vezes em que língua teria escrito hoje Orlanda Amarílis, depois de a língua cabo-verdiana se ter afirmado além do crioulo, sob o ponto de vista político. Talvez estes contos não fossem património da língua portuguesa. Não sabemos. Não saberemos. Se o são, que nos sirvam o pensamento coevo para perspetivar o peso colonial sobre o corpo desta obra e de cada uma das suas personagens.» (Do prefácio de Cátia Terrinca e Ricardo Boléo).
Orlanda Amarílis Lopes Rodrigues Fernandes Ferreira (Santa Catarina, 08 de outubro de 1924 – Lisboa, 01 de fevereiro de 2014) pertence a uma família de grandes figuras literárias. Era filha de Alice Lopes [da Silva] Fernandes e de Armando Napoleão Fernandes, autor do primeiro dicionário de língua crioula-portuguesa, O Dialeto Crioulo – Léxico do Dialeto Crioulo do Arquipélago de Cabo Verde, e da Gramática do Crioulo de Cabo Verde (obra incompleta e ainda inédita). Amarílis era igualmente sobrinha de José Lopes da Silva e prima de António Aurélio Gonçalves e de Baltasar Lopes da Silva. Foi casada com o escritor Manuel Ferreira.
A jovem Orlanda Amarílis, única menina entre os rapazes da Academia Cultivar, iniciou a sua carreira literária na Folha da Academia Certeza (São Vicente, 1944-1945) publicando, logo no seu primeiro número, o texto “Acerca da Mulher”. (…)
Cais de Sodré té Salamansa (Coimbra, 1974), Ilhéu dos pássaros (Lisboa, 1983) e A casa dos mastros (Lisboa, 1989) são os livros de contos de Orlanda Amarílis. Cada um deles com sete contos cujas personagens principais são mulheres e constituem retratos da vida da mulher cabo-verdiana enquanto mulheres-sós, nas ilhas e na terra-longe.
Situando-se a contadora de histórias fora do seu espaço de origem, as histórias que conta são “histórias trazidas” de Cabo Verde, que fazem parte da sua identidade, registadas e partilhadas nesses livros.
A forma de oralidade no contar das histórias e a linguagem da narrativa, com imagens da realidade das ilhas e de uma língua de mistura do português e do crioulo, prende e encanta o público leitor.
Orlanda Amarílis é também autora de três livros infanto-juvenil: Folha a folha (Lisboa Editora, 1987), Facécias e Peripécias (Porto Editora, 1990) e A Tartaruguinha (Instituto Camões/Centro Cultural Português Praia-Mindelo, 1997).
Detalhes do produto
- Editora : Tigre de Papel, Um Coletivo ; 1ª Edição; 2024
- Idioma : Português
- Número de páginas: 432 páginas
- ISBN: 9789893570456
Contos - Orlanda Amarílis
- Até 5 dias úteis.




































