“Este livro apresenta uma reflexão sobre a tradução e sua capacidade, seu poder de criar uma relação de equivalência, de reciprocidade entre as identidades, de fazê-las comparecer, isto é, aparecer juntas em pé de igualdade, de modo que possamos dialogar e nos compreender de língua a língua. Como escreveu Antoine Berman, a tradução nada mais é do que ‘estabelecimento de relação’. Este livro pretende ser, portanto, um ‘elogio da tradução’ e um convite a reconhecê-la como um ‘humanismo’, expondo uma visão otimista do que ela é capaz de realizar.” Da Introdução
Este livro atravessa múltiplas cenas: o calor de um debate internacional sobre quem poderia traduzir o poema de uma jovem poeta negra; as cabines de contato com alienígenas heptápodes no filme A chegada; a discussão sobre a devolução, a seus países de origem, das obras de arte africanas presentes em museus europeus; a possibilidade de traduzir Descartes para uma língua bantu; e, por fim, as mediações entre filosofia islâmica, tradução de textos sagrados e políticas linguísticas atravessadas – ou não – pela herança colonial. Souleymane Bachir Diagne mostra como cada um desses episódios revela a tradução como exercício de reciprocidade e hospitalidade. Mesmo que o encontro entre línguas ocorra quase sempre em condições de assimetria, nenhuma pode reivindicar para si a primazia absoluta sobre as demais. Traduzir é, portanto, necessário. Para o autor, traduzir é prolongar um movimento de compreensão que cruza fronteiras desiguais, acolhendo num idioma um pensamento formulado noutro e, nesse trânsito, transformando ambos. E como não há língua do pensamento, só podemos pensar como traduzimos: de língua a língua. Destinado a artistas e pesquisadores da arte, da estética e do campo decolonial, assim como aos estudiosos da linguagem e a leitores em geral interessados pelo trânsito entre pensamentos, epistemes e expressões, De língua a língua mostra como a circulação entre idiomas, com tudo o que ela acarreta, pode abrir caminhos de criação coletiva que, longe de repetir gestos de dominação – e longe de apagar as singularidades – tornam os mundos humanos porosos uns aos outros.
Souleymane Bachir Diagne nasceu no Senegal em 1955. Estudou na École Normale Supérieure e na Sorbonne, em Paris. Depois de lecionar filosofia durante cerca de vinte anos na Universidade Cheikh Anta Diop, em Dacar, e posteriormente na Universidade Northwestern, em Evanston, exerce hoje o cargo de professor nos Departamentos de Estudos Francófonos e de Filosofia da Universidade Colúmbia, em Nova York. Seus trabalhos inserem-se nos domínios da história da lógica e da filosofia, especialmente no mundo islâmico e na África. É autor, entre outras obras, de Bergson pós-colonial: O elã vital no pensamento de Léopold Sédar Senghor e Muhammad Iqbal, publicada no Brasil em 2018, e de Le Fagot de ma mémoire (2021).
Detalhes do produto
- Editora : WMF Martins Fontes; 1ª Edição; 7 julho 2025
- Idioma : Português do Brasil
- Número de páginas : 126 páginas
- ISBN : 9788546907496
- Dimensões : 12.5 x 1.3 x 18.5 cm
De língua a língua: A hospitalidade da tradução - Souleymane Bachir Diagne
- Até 5 dias úteis.




































