Deixem-me contar-vos sobre a "Deriva". Não é apenas um livro; é um álbum de recortes da alma, um caderno de bordo para quem navega, sem mapa, na idade adulta. A Madalena Sá Fernandes, essa amiga que ainda não conhecem mas que lhes vai parecer de longa data, pegou em tudo aquilo que julgamos trivial – a insónia teimosa, a negociação épica com a mãe, a nostalgia das férias de infância, o ódio secreto às festas de casamento – e fez disso poesia.
São crónicas que funcionam como um reflexo no espelho. Uma leva-vos ao riso com a crónica da Sra. Dra. cuja filha "levou um tiro" (de água, acalmem-se); na seguinte, ficam a pensar na "geração imóvel" e na beleza da solidão boa. É isto: uma viagem que, quando acaba, vem connosco.
Confesso: gosto da importância que a Madalena dá às coisas sem importância alguma. E gosto sobretudo da desimportância que dá a si mesma, confessando o inconfessável com uma franqueza que, nos dias de hoje, é um ato de coragem. "Deriva" é isso mesmo. Um livro que não se lê, vive-se.
E no fim, ficamos com a sensação agradável de que não estamos sozinhos na nossa própria deriva.
Para quem é este livro? Para quem aprecia a escrita afiada e terna do jornal Público. Para quem leu "Leme" e quer reencontrar a autora num registo mais leve, mas igualmente profundo. Para quem acredita que a literatura é o melhor antídoto contra a voragem do presente.
Sinopse Técnica:
Autora: Madalena Sá Fernandes (Licenciada em Línguas e Culturas, cronista do Público).
Título: Deriva
ISBN: 9789897877551
Editora: Companhia das Letras (3ª edição - Maio 2024)
Páginas: 240
Prefácio: Gregório Duvivier.
Deriva - Madalena Sá Fernandes
- Até 5 dias úteis.




































