Permitam-me apresentar-vos não um livro, mas um soco no estômago da consciência. Friday Black, a estreia literária do jovem prodígio Nana Kwame Adjei-Brenyah, não se lê—devora-se. É uma coleção de contos que funciona como um espelho distorcido e brutalmente honesto do nosso tempo, onde o absurdo da vida negra na América é dissecado com a precisão de um cirurgião e a fúria de um poeta profeta.
Aqui, Adjei-Brenyah, um voz já consagrada como "nova e necessária" pelo The New York Times e vencedor do prestigiado PEN/Jean Stein Book Award, não nos oferece fábulas suaves. Arranca-nos da nossa complacência e atira-nos para mundos quase reconhecíveis, mas retorcidos por uma lógica de pesadelo. São doze histórias onde o racismo sistémico, a violência gratuita e a devoração do capitalismo não são temas—são personagens, tão reais e aterradoras como o vizinho do lado.
Preparem-se para conhecer Emmanuel, um jovem que, antes de saber fazer divisões longas, já aprendera a modular a sua "Negritude" numa escala de 1 a 10 para sobreviver. Acompanhem-no na sequela de "The Finkelstein 5", onde a aquiescência de um homem branco que massacrou cinco crianças negras com uma motosserra não é ficção, é o eco ensurdecedor de notícias que bem conhecemos.
Adentrem "Zimmer Land", um parque temático sinistro onde o preconceito racial é consumido como entretenimento desportivo, uma ideia "fácil demais para acreditar". E, claro, sobrevivam ao frenesim do conto-título, "Friday Black", uma visão distópica e hilariante da Sexta-feira Negra onde os consumidores se transformam em hordas de zombies espumantes, e um vendedor luta por um casaco de marca não como troféu, mas como último acto de dignidade e amor.
Aclamado por mestres como George Saunders e comparado a vozes essenciais como Colson Whitehead e Marlon James, Adjei-Brenyah escreve com uma mistura vertiginosa de raiva, humor negro e, surpreendentemente, esperança. A sua prosa é afiada como um diamante, capaz de cortar o aço do cinismo para revelar, no fundo da ferida, a teimosa humanidade que persiste.
Friday Black é mais do que um livro de estreia; é um evento cultural, um farol para uma geração. É para quem não tem medo de olhar para o abismo e descobrir que o abismo, afinal, está a olhar para nós e a rir-se de forma estridente e inesquecível.
Para leitores de Saunders, de Whitehead, de James Baldwin, ou para qualquer um que acredite que a literatura deve perturbar, desafiar e, finalmente, iluminar. Não vão ficar indiferentes. E é exactamente isso que faz dele uma leitura obrigatória.
Adquiram o vosso exemplar. Coragem estará incluída.
Detalhes do produto
- Editora : Fósforo Editora
- 1ª edição (24 janeiro 2023)
- Idioma : Português do Brasil
- Capa comum : 224 páginas
- ISBN-13 : 9786584568327
- Dimensões : 13.5 x 2 x 20.5 cm
Friday Black - Nana Kwame Adjei-Brenyah
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