Olha só. Chega um livro que tem, logo no título, uma contradição de fazer doer a cabeça de qualquer purista: Gramática expositiva do chão. Gramática, aquela coisa da regra, da ordem, do certo e do errado. Chão, essa coisa da terra, do rasteiro, do insignificante. Juntar os dois é o primeiro ato de rebeldia poética de Manoel de Barros.
Este não é um livro para quem busca explicações. É um livro para quem aceita espantos. Publicado pela primeira vez em 1969, é aqui que o poeta do Pantanal crava de vez seu estilo: misturar verso e prosa poética para falar das coisas pequenas, das pedras, dos bichos, dos restos, com uma importância cósmica. É uma “vanguarda primitiva” que subverte a linguagem não por acidente, mas por vocação.
Dizem por aí que Carlos Drummond de Andrade, em vida, apontou Manoel de Barros como o maior poeta brasileiro vivo. E você percebe porquê ao abrir estas 88 páginas: há uma crítica social sutil, uma busca desesperada por se reintegrar a tudo que não foi corrompido pela tal civilização. Ele não quer ser dono do mundo; quer ser parente dos caracóis.
Esta edição da Companhia das Letras vem acrescida de um presente: um prefácio da escritora Clarice Freire, além de fotografias e documentos do acervo pessoal do poeta. É como se você tivesse acesso à gaveta onde Barros guardava os rascunhos do mundo. O livro, aliás, já chegou premiado, ganhando o Prêmio Nacional de Poesia e chamando a atenção da crítica para sua obra definitiva.
Para que serve, afinal, uma gramática do chão? Serve para nos lembrar que “há brilho” tanto numa estrela quanto num caracol. Serve para nos ensinar a ler o mundo não com a razão utilitária, mas com o sentimento. Serve, em última análise, como um antídoto contra a arrogância de achar que só o grandioso importa.
Compre este livro. Não para decorar regras, mas para aprender a derrapagem lírica. Não para se tornar culto, mas para redescobrir o assombro diante de um inseto. É um clássico atemporal da nossa melhor poesia, dita por aquele que fez do quintal maior que o mundo.
Detalhes do produto
- Editora : Alfaguara
- 1ª edição (24 outubro 2022)
- Idioma : Português do Brasil
- Capa comum : 88 páginas
- ISBN-13 : 978-8556521484
- Dimensões : 15 x 0.7 x 23.4 cm
Gramática expositiva do chão - Manoel de Barros
- Até 5 dias úteis.




































