Permitam-me apresentar-vos uma descoberta literária que é, também, um formidável ato de resgate histórico. "O Caderno Azul de Jenny", da autoria do prestigiado sociólogo Michael Löwy e do ativista Olivier Besancenot, não é um livro comum. É uma chave que abre a porta a um "E se...?" fascinante da história das ideias.
Imaginem: Paris, abril de 1871. A Comuna ergue-se, efémera e gloriosa. Enquanto o mundo observa, um homem de barba cerrada e ideias incendiárias permanece em Londres... ou não? Através do artifício genial de um diário perdido – o tal caderno azul da filha mais velha de Karl Marx –, somos conduzidos a uma viagem clandestina. Jenny convence o pai a arriscar. Marx, disfarçado, com o cabelo tingido de preto, mergulha no turbilhão da cidade em revolução.
E que mergulho! Através dos olhos de Jenny, encontramo-nos com as grandes figuras que fizeram pulsar a Comuna: o húngaro Léo Frankel, o operário Eugène Varlin, a incansável Louise Michel e a revolucionária russa Elisabeth Dmitrieff. São diálogos vivos, cheios de debate, esperança e o calor do momento. Este não é um tratado teórico seco; é a história a ser vivida, sentida e questionada na primeira pessoa, um "exercício da memória histórica" feito com mestria.
Löwy e Besancenot, assumindo o papel de "Educadores Populares", oferecem-nos mais do que uma ficção. Oferecem um instrumento de reflexão urgente. Num tempo de desafios colossais, da devastação da Terra à ascensão de sombras neofascistas, a Comuna fala-nos ainda: fala de poder popular, de internacionalismo, da força decisiva das mulheres e dos jovens.
Com uma escrita acessível e vigorosa, esta curta narrativa de 112 páginas convida tanto o leitor iniciante como o estudioso a redescobrir aquele que foi o "primeiro governo proletário da história". É, como bem notou um crítico, um livro do qual se aprende "com grande prazer... mais do que lendo um grosso volume académico".
Para quem busca entender as raízes do pensamento revolucionário, para quem se fascina por história contrafactual bem trabalhada, ou simplesmente para quem aprecia uma boa história bem contada, "O Caderno Azul de Jenny" é uma leitura indispensável e inspiradora. Traga para a sua estante este fragmento de um passado que teima em iluminar o presente.
Detalhes do produto
- Editora : Boitempo
- 1ª edição (7 junho 2021)
- Idioma : Português do Brasil
- Capa comum : 112 páginas
- ISBN-13 : 978-6557170656
- Dimensões : 20.8 x 13.6 x 0.8 cm
O caderno azul de Jenny: A visita de Marx à Comuna de Paris - Michael Löwy
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