Apresento-vos não apenas um livro, mas um pedaço da alma do Brasil. O Desertor de Princesa é a primeira peça levada aos palcos pelo imortal Ariano Suassuna, ainda em 1948, sob o título Cantam as Harpas de Sião. Dez anos depois, o próprio autor, com a sabedoria que a maturidade concede, a reescreveu e deu-lhe o nome pelo qual a conhecemos hoje.
Aqui, o autor do celebrado Auto da Compadecida revela-se na sua faceta mais profunda e pungente: a do tragediógrafo. É uma tragédia clássica, que respeita as unidades de tempo, lugar e ação, mas que tem o sangue quente e a poeira do sertão da Paraíba como palco. A história desenrola-se durante a Guerra de Princesa, um conflito local que foi um prelúdio da Revolução de 1930. No centro, está António, um jovem soldado que deserta, atormentado pelos horrores que testemunhou.
Suassuna, esse mestre defensor da cultura nordestina e fundador do Movimento Armorial, tece um libelo contundente e atemporal contra a guerra. Nas suas próprias palavras, é "um grito contra a guerra". Enquanto os líderes dão ordens de longe, são os jovens, como António, que pagam o preço final nas frentes de batalha. O desertor, portanto, não é um covarde, mas a encarnação de uma consciência dilacerada.
Este é um Suassuna essencial. Menos conhecido do público português do que as suas comédias, mas igualmente genial. Uma obra que começa e termina com o mesmo verso de um poema belíssimo: "alguém morreu na estranha madrugada". Uma leitura que ecoa, necessária, em qualquer tempo e em qualquer lugar onde se debata o absurdo da violência.
Para descobrir as raízes de um dos maiores escritores brasileiros, esta é uma porta de entrada soberba.
Detalhes do produto
- Editora : Nova Fronteira
- 1ª edição (31 julho 2022)
- Idioma : Português do Brasil
- Capa comum : 112 páginas
- ISBN-13 : 978-6556404622
- Dimensões : 13.5 x 1 x 20.8 cm
O Desertor de Princesa - Ariano Suassuna
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