"É assim que me lembro. Para quem mora com uma grávida de nove meses no oitavo andar de um condomínio num bairro arborizado de São Paulo, o maior receio é uma tempestade de verão e sua mais provável consequência: uma árvore cair, um galho despencar na fiação, uma pomba morrer eletrocutada no transformador e a luz acabar. Comparado aos medos da futura mãe, esse era uma baforada na neblina. Ela passaria por um procedimento que poderia durar horas ou dias, e nunca nos disseram que poderia ser comparado a uma operação de resgate de um bebê nas ruínas de um terremoto. Meu papel era transmitir calma, mas eu não estava nada calmo. Meus olhos pareciam os de um soldado na trincheira, esperando pelo apito do comando para avançar rumo ao desconhecido. Ela, sim, parecia calma, surpreendentemente calma, lindamente calma, calma até demais. Linda e orgulhosa da sua barriga, que exibia e protegia como a parte mais preciosa da sua (nossa) existência." 1º parágrafo
O novo agora é a brilhante sequência de Feliz ano velho e Ainda estou aqui . Nele, Marcelo Rubens Paiva intercala memórias e acontecimentos familiares para construir uma narrativa envolvente e íntima sobre a paternidade. E recria, com sensibilidade, um momento desafiador da história recente do país.
Escritor, pai depois dos cinquenta anos, cadeirante e considerado inimigo pelo governo vigente: assim Marcelo Rubens Paiva se descreve, neste livro franco e emocional, sequência autobiográfica de Feliz ano velho e Ainda estou aqui ― cujo filme, dirigido por Walter Salles e com Fernanda Torres no papel principal, foi vencedor do prêmio de melhor roteiro do Festival de Veneza e candidato ao Oscar de melhor filme.
Nas obras anteriores, ele fala sobre o acidente que o deixou numa cadeira de rodas aos vinte anos, o desaparecimento do pai, Rubens, durante a ditadura militar, e a luta da mãe, Eunice, para cuidar sozinha dos cinco filhos, se tornar uma defensora dos direitos indígenas e, por fim, enfrentar o Alzheimer. Desta vez, em O novo agora , é o próprio Marcelo quem está no papel de pai.
Às vezes bem-humorado, em outras melancólico, Marcelo mergulha nas agruras da paternidade, ao mesmo tempo em que recorda períodos especialmente duros do país: primeiro, a guinada política que atinge em cheio sua família e artistas. Depois, a pandemia. E, em meio a isso, a lenta fragmentação do casamento.
A escrita avança e recua no tempo, retoma memórias de infância e relatos de seus pais e, aos poucos, constrói um retrato complexo de uma família atravessada por crises em diferentes níveis, incerta quanto ao futuro, mas que, aos poucos, aprende a sobreviver. E a sair do outro lado refeita.
MARCELO RUBENS PAIVA é escritor, dramaturgo e roteirista. Recebeu prêmios importantes, como Jabuti, Shell, Moinho Santista e da Academia Brasileira de Letras. Suas obras foram adaptadas para o cinema, teatro e séries de TV, e traduzidas para o inglês, espanhol, francês, italiano, alemão e tcheco. É autor, entre outros, dos romances Feliz ano velho (1982) ― com mais de 1,5 milhão de exemplares vendidos ―, Blecaute (1986), Ainda estou aqui (2015), Meninos em fúria (2016), em parceria com Clemente Tadeu Nascimento, Do começo ao fim (2022) e O novo agora (2025). Em 2024, Ainda estou aqui ganhou adaptação para o cinema, com direção de Walter Salles, e foi vencedor do prêmio de melhor roteiro na 81a edição do Festival de Veneza. É pai de dois meninos e vive em São Paulo.
Detalhes do produto
- Editora : Alfaguara; 1ª Edição; 22 abril 2025
- Idioma : Português do Brasil
- Número de páginas : 272 páginas
- ISBN: 9788556522672
- Dimensões : 15 x 1.5 x 23.2 cm
O novo agora - Marcelo Rubens Paiva
- Até 5 dias úteis.




































