Então, caro potencial leitor e navegante do site, você clicou aqui à procura de um livro. Excelente escolha. O que espera encontrar? Uma história com princípio, meio e fim, talvez? Um herói que parte, sofre e regressa transformado? Prepare-se para uma pequena, digamos, redefinição de expectativas.
Este livro, "O que a Chama Iluminou", é uma dessas coisas que as livrarias, na sua ânsia de arrumação, chamam de "novela-ensaio". Soa a algo sério, académico, talvez um pouco enfadonho. Engano seu. É como se Afonso Cruz, o autor — sim, aquele que escreve, ilustra e provavelmente conversa com as personagens que cria —, tivesse decidido fazer uma viagem ao Chile e, no meio do caminho, se tivesse perdido. Não no mapa, mas no pensamento.
A viagem, repare, começa com dois "vultos" encurralados por blindados num beco escuro de Santiago. Um deles é o próprio Afonso Cruz . Mais tarde, um acidente de viação em Punta Arenas, com o autor novamente como passageiro . A vida real, esta comediante de mau gosto, parece insistir em dar-lhe matéria-prima para uma reflexão sobre o fim. E ele aceita o desafio.
A partir daí, a prosa dele — que é "terna e desapiedada" ao mesmo tempo, um truque que só os melhores conseguem — espalha-se como a luz de uma chama . Ilumina o fim do mundo nas suas variadas e catastróficas versões. Ilumina o Deserto de Atacama, onde mulheres reviram a areia em busca de restos dos desaparecidos da ditadura . Ilumina o fim das línguas, das culturas, do próprio planeta. É um inventário do apocalipse feito com a caligrafia delicada de quem observa uma formiga a carregar uma folha.
Haverá então esperança? O título não é por acaso. Cruz lembra-nos, parafraseando Saint-Exupéry, que "não é a cera que fica, mas o que a chama iluminou" . A cera — o corpo, o objeto, o mundo material — consome-se. Mas a luz que projetou, o que foi visto e sentido durante esse breve instante de combustão, isso permanece. É disso que trata este livro: do que fica aceso na memória quando tudo à nossa volta parece apagar-se. É um livro sobre o fim, sim, mas escrito por alguém que acredita piamente na beleza do clarão.
Por isso, se procura uma fuga ligeira, talvez deva continuar a navegar. Mas se tem coragem para uma viagem "absolutamente comovente e devastadora", como diz uma crítica do Jornal de Leiria, então aperte o cinto . Afonso Cruz vai levá-lo a passear pelo fim das coisas. E garanto-lhe que a vista, embora arrepiante, é absolutamente deslumbrante.
Afonso Cruz é um nome incontornável da literatura portuguesa contemporânea. Além de escritor, é ilustrador, músico e cineasta, uma multidisciplinaridade que se reflete na riqueza da sua prosa. A sua obra é vasta e premiada, frequentemente destacada pela crítica pela capacidade de tratar temas universais com um estilo singular, direto e profundamente poético
Detalhes do Produto
- ISBN: 9789897876554
- Ano de edição: 12-2024
- Editor: Companhia das Letras
- Idioma: Português
- Dimensões: 149 x 232 x 13 mm
- Encadernação: Capa mole
- Páginas: 160
O que a Chama Iluminou - Afonso Cruz
- Até 5 dias úteis.




































