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Com sua pena ágil, inteligência, intensidade dramática e humor, Aldri Anunciação enfrenta as questões do racismo, da negritude e da diáspora negra em profundidade, com um texto extremamente bem costurado e acessível, oferecendo a leitores de idades diferentes, do jovem ao adulto, inúmeras camadas de entendimento e debate. Vencedor do Jabuti, o dramaturgo, ator e apresentador surge como um dos mais nítidos talentos da atualidade. Um trabalho que, pelo uso do espaço segregado como metáfora da opressão e por sua dimensão psicológica, dialoga com os tempos sombrios do distanciamento social e isolamento compulsório trazidos pela crise sanitária do coronavirus, o que termina por nos envolver por completo em sua luta identitária e antirracista. O que é ser negro? Como é ser negro? Por que ser negro em confronto com uma sociedade que se quer ver branca? Nas três peças de Aldri Anunciação que a Perspectiva apresenta nesta Trilogia do Confinamento, o negro entra em cena sem samba nem pobreza, sem estereótipos fáceis, de distinta apenas a cor da pele – essa tela na qual uma sociedade que se quer branca e de valores eurocêntricos projeta seus medos e fracassos. Num "hoje" prorrogado indefinidamente e espacialmente restrito, há sempre dois. Dois primos escondidos em um pequeno apartamento, para escapar de um decreto de extradição da população de "melanina acentuada". Dois cidadãos, retidos sem saber por que em uma sala do aeroporto. Dois soldados, captados no intervalo de uma batalha, interrompida por falta de munição. A normalidade em crise – como uma pandemia que interrompe a engrenagem e isola seus atores – produz o absurdo das situações. Os diálogos a um só tempo ágeis e reflexivos geram um embate dramático, mas ainda bem-humorado, de visões de mundo, a partir de ângulos inusitados e inesperados, que conduzem o leitor a pensar a si e o mundo a sua volta. Como uma obra de arte deve fazer, pois é disso que se trata. Afinal, em algum lugar o encantamento tem que ser depositado.

 

Aldri Anunciação é dramaturgo, roteirista, ator e apresentador de TV. Fez a graduação na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) e é doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia (PPGAC-UFBA). Namíbia, Não! foi encenada pela primeira vez em 2011, no Teatro Castro Alves, e publicada no ano seguinte, conquistando o primeiro lugar do prêmio Jabuti de Literatura na categoria juvenil, edição de 2013. Escreveu ainda outras sete peças: O Campo de Batalha: A Fantástica História de Interrupção de uma Guerra Bem-Sucedida, que estreou em 2015 no palco do Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo; Embarque Imediato, que teve sua primeira apresentação em 2020, no Teatro Anchieta, no Sesc em São Paulo; A Construção; A Mulher do Fundo do Mar; Inventário Gusmão: Crônicas de uma Biografia Imaginada; Antimemórias de uma Travessia Interrompida; e Pele Negra, Máscaras Brancas: De Como Esquecemos Aquilo Que Somos (inspirada nas teorias psiquiátricas de Frantz Fanon). Como roteirista, participou da equipe do longa-metragem Medida Provisória e dos programas de TV Conexão Bahia e Conversa Preta (pela TV Bahia/Rede Globo). Iniciou-se como ator profissional nos espetáculos Os Negros, de Jean Genet, dirigido por Carmen Paternostro, e O Sonho, de August Strindberg, com direção de Gabriel Villela. Mais recentemente, atuou nos longas-metragens da Rosza Filmes Café Com Canela (2016) e Ilha (2018), pelo qual ganhou o Candango de Melhor Ator no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Recebeu ainda a comenda do Mérito Cultural, em 2014, por suas contribuições para as artes e pela idealização e realização do Festival Dramaturgias da Melanina Acentuada e da Plataforma Melanina Digital, que catalogam e estudam dramaturgias negras.

Leda Maria Martins é professora aposentada dos cursos de Letras e Artes Cênicas da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. Publicou pela Perspectiva Afrografias da Memória: O Reinado do Rosário no Jatobá (1997, coedição com a Mazza) e A Cena em Sombras (1995).

 

Ilustrações: Rodrigo Chedid / Bicho Coletivo Prefácio: Leda Maria Martins Apresentações: Lázaro Ramos, Cleise Mendes, Dione Carlos e Luiz Marfuz 

Detalhes do produto

  • Editora ‏ : ‎ Perspectiva; 1ª Edição;  4 setembro 2020
  • Idioma ‏ : ‎ Português do Brasil
  • Número de páginas ‏ : ‎ 248 páginas
  • ISBN: ‎ 9786555050325
  • Dimensões ‏ : ‎ 20.6 x 13.8 x 1.8 cm

 

Trilogia do confinamento: Namíbia, não! Embarque imediato - Aldri Anunciação

SKU: 9786555050325
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