Elaine Barbosa intersecciona as áreas de criminologia, colonialidade e educação para discutir o encarceramento em massa de mulheres, em sua maioria negras, presas por crimes praticados sem violência e que as afasta do cuidado dos filhos, mesmo que sejam bebês, e do sustento da família, já que boa parte delas eram as provedoras de seus lares.
Na cadeia, essas mulheres não têm acesso a direitos humanos básicos, como alimentação adequada, saúde e educação, e é através das cartas enviadas ao Instituto de Cultura e Consciência Negra Nelson Mandela (ICCNNM) que elas buscam apoio jurídico e social, ao mesmo tempo que nos apresentam outras aprendizagens possíveis.
A autora propõe uma nova política sobre drogas e a aplicação da Lei n. 13.257/2016, para que mulheres pobres e negras possam ter garantido o direito de prisão domiciliar nos casos em que são gestantes ou têm filhos menores de 12 anos. O livro conta com prefácio de Luciana Boiteux, apresentação de Claudia Miranda e posfácio de Jurema Werneck.
Elaine Barbosa, em um estudo sensível, minucioso e profundamente humanista, realiza um gesto tão raro quanto cada vez mais urgente em nosso país: ela lê criticamente as cartas de mulheres encarceradas no sistema penitenciário do estado do Rio de Janeiro, escritas entre os anos de 2010 e 2016, que tinham como destinatário o Instituto de Cultura e Consciência Negra Nelson Mandela.
Nas 31 missivas escolhidas pela pesquisadora, o filtro de sua crítica feminista negra amplifica em alto e bom som o pedido de socorro à sociedade brasileira, de mulheres que estavam (estão?) sendo violadas, em todos os seus direitos fundamentais, pela silenciosa máquina feminegricida do Estado. Sim, em sua absoluta maioria, são as mulheres negras pobres que estão sendo encarceradas e torturadas massiva e ininterruptamente, há pelo menos duas décadas, a partir do mais perverso e sádico consentimento social carcerário. E quem tem a coragem da verdade necessária para desvelar essa barbárie estranhamente naturalizada entre nós? Escritos como os de Elaine Barbosa são raros, improváveis, mas aliam-se historicamente a uma linhagem cada vez mais indócil entre nós: o feminismo negro abolicionista . Seja bem-chegada, Irmã! Sigamos!
Denise Carrascosa , feminista negra abolicionista, é professora associada de literatura da UFBA e conduz, há 14 anos, um projeto de arte-educação para remição de pena por estudos, leitura e escrita literária na Penitenciária Feminina do Estado da Bahia.
Sobre o Autor
ELAINE BARBOSA é advogada, escritora, feminista abolicionista e ativista do Movimento de Mulheres Negras, sobretudo dos movimentos sociais antiprisionais do estado do Rio de Janeiro. Como membra-diretora do Instituto de Cultura e Consciência Negra Nelson Mandela, desenvolve pesquisas no campo da Justiça Racial e das Políticas Penais junto às pessoas que são impactadas pelo sistema de justiça criminal e penitenciário. Além disso, coordena o projeto Incluir Direito, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o Centro de Estudos da Sociedade de Advogados (Cesa), e atua como assessora política na Comissão dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Com a dissertação de mestrado em Educação que deu origem a este livro, a autora recebeu em 2018 o Prêmio Internacional de Direitos Humanos Ella Baker, em congresso da Associação Americana de Pesquisa em Educação (Aera).
Detalhes do produto
- Editora : Pallas; 1ª Edição; 11 agosto 2025
- Idioma : Português do Brasil
- Número de páginas : 224 páginas
- ISBN: 9786556021782
- Dimensões : 15.5 x 1.2 x 22.5 cm
Aprendizagens decoloniais: cartas de mulheres encarceradas... - Elaine Barbosa
- Até 5 dias úteis.

































