Olha, não há nada como um livro que nos agarra pelo colarinho e nos pergunta, com um sorriso meio torto: "Então, estás no fundo do poço? Excelente. Agora olha para cima." É exactamente essa a viagem—desajeitada, hilariante, profundamente humana—em que Won-pyung Sohn nos embarca em O Impulso.
Conheçamos Andreas Kim Seonggon. Se o fracasso fosse uma arte, ele seria um pintor expressionista. Profissional, familiar, financeiramente—um desastre em technicolor. Até o seu plano final, aquele mergulho libertador nas águas escuras de um rio, falha. Motivo? A água parece-lhe pouco convidativa. Sim, leu bem. A tragédia tropeça no ridículo, e é aí que a magia—ou antes, a dura, suada, realidade—começa.
Das cinzas deste fiasco, nasce uma obsessão aparentemente absurda: corrigir a postura. De repente, a salvação não está em grandes epifanias, mas na coluna vertebral. Fotografias coladas no espelho de uma quitinete claustrofóbica, lembretes diários de uma vida entortada, tornam-se o primeiro degrau. O que começa como um ajuste físico torna-se uma metáfora linda e dolorosa para endireitar uma existência.
Won-pyung Sohn, esta sul-coreana premiada que é cineasta, filósofa de formação e contadora de histórias por vocação, sabe do que fala. Se no seu aclamado primeiro romance, Amêndoas, explorou a incapacidade de sentir, aqui explora a capacidade quase milagrosa de se refazer. Este livro é o outro lado da mesma moeda preciosa.
O Impulso não é um manual de auto-ajuda. É um romance sobre como, quando tudo parece perdido, o acto mais revolucionário pode ser algo tão simples—e tão difícil—como nunca parar de tentar. É sobre como um pequeno gesto, um impulso quase imperceptível, pode desencadear uma onda de mudança que salva não só a nós, mas àqueles à nossa volta.
Recomendo-o, não com a solenidade de quem oferece uma lição, mas com o sorriso de quem encontrou um companheiro para os dias em que o mundo pesa. É para quem já sentiu que era um fracasso completo, para quem já adiou um mergulho porque a água não brilhava o suficiente, e para quem acredita—ou quer voltar a acreditar—que a esperança é, afinal, um músculo que se pode exercitar. Um livro que, nas palavras do actor Nam Da-reum, "cria ondas de calma na superfície do mar". E nos dias que correm, meu caro, quem não precisa de um pouco de mar calmo?
Detalhes do produto
- Editora : Rocco
- Data da publicação : 30 agosto 2024
- Edição : 1ª
- Idioma : Português do Brasil
- Número de páginas : 272 páginas
- ISBN-13 : 978-6555324662
- Peso do produto : 280 g
- Dimensões : 14 x 2 x 21 cm
O impulso - Won-pyung Sohn
Até 3 dias úteis.





































