Então, você está aí, a pensar se compra mais um livro de poemas. Vai encher a estante, fazer pose de intelectual nas redes, ou vai realmente ler? Pois bem, esqueça tudo. Esqueça a pose. Este "Potlatch" não é para enfeite.
É para levar no bolso, como um breviário portátil para o fim do mundo. Sim, aquele que a gente mesmo está a fabricar, com direito a amor, perda e uma natureza que a gente insiste em chamar de "recursos" enquanto ela se vai. Guilherme Gontijo Flores, esse sujeito que é poeta, tradutor de latim e professor, pega nessa contradição toda e não faz um panfleto. Faz poesia. Daquelas afiadas e encantatórias ao mesmo tempo.
O livro é dividido em quatro partes, como quatro estações de um ano estranho: "A parte da perda", "Colheita estranha", "Três estáticas" e "Cantos pra árvore florir". São nomes que já dizem tudo e não dizem nada. É preciso entrar.
Aqui, a lírica oscila, desequilibrada e bela, entre dois grandes polos: o amor e a devastação ambiental, o passado e a utopia. É um livro tão meditativo quanto sensual, tão pessoal quanto histórico. Flores, que já traduziu Safo e Rabelais com prémios na bagagem, sabe que a linguagem é um campo de batalha. E em "Potlatch", ele não se limita a observá-lo. Habita-o.
Portanto, se procura versinhos reconfortantes para o Instagram, pode passar à frente. Mas se tem coragem para um canto que é também um transe, um ritual de perda e talvez de renascimento, então este é o seu livro.
Potlatch: um presente que se dá, sabendo que a dívida é eterna. E que a única maneira de a saldar é lendo, relendo e deixando que estes poemas ecoem, longínquos como um instrumento de percussão no meio do silêncio.
Detalhes do produto
- Editora : Todavia
- 1ª edição (7 fevereiro 2022)
- Idioma : Português do Brasil
- Capa comum : 128 páginas
- ISBN-13 : 978-6556922317
- Dimensões : 13.5 x 1.1 x 20.8 cm
Potlatch - Guilherme Gontijo Flores
Até 5 dias úteis.





































