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Sim, palavras também constroem cidades, ao mesmo tempo que as desconstroem em avalanches céticas de ácidas imagens sem direção. O poeta Nuno Rau revela um Rio-de-Janeiro-Qualquer-Grande-Cidade com ferozes olhos de neblina e minério, onde a memória escorre em forma de água límpida e esgoto escuro. As palavras materializam coleções de estranhezas, labirintos sufocantes, olhos nômades, corações turbilhonados. Fazem referências a bairros e lugares cariocas, mas na verdade estão falando da Cidade Infinito. Assim é que, por vezes, este belo livro-poema lembra o Uivo do Ginsberg, que recita sutras intermináveis ao som do cântico dos cânticos tangido pelos anjos do inferno, essa cachoeira de constructos surreais, pois toda cosmovisão sobre uma megalópole será sempre um catálogo de cabelos delirantes a revestirem esqueletos de pesadelos. Outras vezes lembra toda essa poesia a se erguer em torno dos dramas em transe das armaduras urbanas do mundo moderno, desde um Baudelaire ou um Benjamin, até o atordoante fluir de uma odisseia joyceana. – Afonso Henriques Neto Em seu poema “Mãos dadas” (in Sentimento do mundo, 1940), Carlos Drummond de Andrade confessa que O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, profissão de fé compartilhada por Manuel Bandeira que, em sua “Nova Poética” (in Belo, belo, 1948), espera que a poesia contenha a marca suja da vida. O poeta carioca Nuno Rau, no seu novo livro, cujo título, intencionalmente, promove uma pequena confusão de gêneros, “Prosa da cidade”, parece atender ao chamado dos vates modernistas. Nessa valiosa coletânea de versos, o leitor atento observará que os poemas reunidos por Nuno trazem essa marca suja, calcada sim, no tempo presente, nos homens presentes, na vida presente de sua cidade, São Sebastião do Rio de Janeiro. Mas, se para Drummond, no mesmo poema, não interessa a paisagem vista da janela, para Nuno Rau é justamente no espaço urbano, que sua visão abraça, onde se encontra o mote para os poemas que construiu. – Leonardo Almeida Filho

 

Nuno Rau, arquiteto, professor de história da arte, tem poemas em diversas revistas literárias, e nas antologias Desvio para o vermelho, do Centro Cultural São Paulo, Escriptonita, que co-organizou, 29 de Abril: o verso da violência, Ponte de Versos, Opiniães e Jumento com faixa – deboches e antiodes ao fascismo, entre outras. Publicou o livro Mecânica Aplicada (2017), poemas, finalista do 60º Prêmio Jabuti e do 3º Prêmio Rio de Literatura. É coeditor da revista mallarmargens.com e ministra oficinas de poesia no Instituto Estação das Letras – IEL.

 

Detalhes do produto

  • Editora ‏ : ‎ Editora Patuá; 1ª  Edição; 15 março 2025
  • Idioma ‏ : ‎ Português do Brasil
  • Número de páginas ‏ : ‎ 184 páginas
  • ISBN : ‎ 9786528100279
  • Dimensões ‏ : ‎ 16 x 23 x 1.5 cm

Prosa da cidade - Nuno Rau

SKU: 9786528100279
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