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ASSIM NÃO, SENHOR PRESIDENTE! é um romance do moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa, nome tsonga de Francisco Esaú Cossa.
Em ASSIM NÃO, SENHOR PRESIDENTE!, Ungulani nos conduz pela história de Moçambique pela voz de personagens que se expressam por meio de suas memórias, cartas, conversas, documentos e outros tipos de registros. Pensamentos e conversas de homens e mulheres, moçambicanos e portugueses, como jornalistas, políticos, professores, médicos, ex-guerrilheiros e colonos, resultam em narrativas que se interligam. O resultado é um sensível e emocionante retrato ficcional da história do povo moçambicano desde antes da luta de libertação contra o domínio colonial até os dias de hoje.

Trechos:

"No subúrbio, pós-independência, os pobres pretos de outrora continuavam pobres e comemoravam, à sua maneira, o ano prestes a findar, com o pouco que tinham na mesa de madeira coberta por uma toalha de plástico, e um candeeiro a petróleo no centro da mesma a enterrar-se, de forma desequilibrada, no chão de areia; sentados em pequenos bancos de madeira, passavam de mão em mão a caneca com a cerveja tradicional. Todos ansiavam pelo novo ano, na esperança de outras melhoras na crescente pauperização da sociedade a militarizar-se.”

“Aprende isso, filho! Agora que andas na universidade deves ter o olho aberto, Este país não avança com estes sacanas! Um país não pode ser governado com inveja, mágoa, vingança, Um país deve ser de todos e não de poucos, poucos que se acham os mais inteligentes do mundo, foda-se! Era assim o velho mecânico Furtado…”
“Luísa não se preocupou de imediato com a mboa, por ser um prato rápido, diferente da matapa que aos sábados o casal fazia questão de levar à casa da avó, em alternância com a feijoada. A matapa requeria outro tempo de cozedura, outras formas de tratar a panela, a começar pelas folhas de mandioca, base do prato, que precisam de ser piladas com alho e, depois, dado importante, vão à panela com a água que serviu para limpar o pilão;”

“Eu respiro outro ar, sinto, pela primeira vez, que estou na minha terra. Ontem sentia-me estrangeiro na minha própria terra. Havia os verdadeiros nacionais. E nós, a maioria, tínhamos que mendigar a nossa cidadania…”

 

UNGULANI BA KA KHOSA (nome em tsonga de FRANCISCO ESAÚ COSSA) nasceu em Inhaminga, distrito de Cheringoma, província de Sofala, Moçambique. Professor de carreira, exerceu funções importantes em Moçambique como as de Diretor do Instituto Nacional do Livro e do Disco, Diretor Adjunto do Instituto Nacional de Cinema e Audiovisual de Moçambique e Secretário-Geral da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO). Tem forte vínculo com a cultura brasileira, tendo participado de vários eventos culturais e acadêmicos no Brasil, como FlinkSampa (São Paulo/SP), Afrolic (Recife/PE), FliPoços (Poços de Caldas/MG), FliParaíba (João Pessoa /PB), USP (São Paulo/SP) e Unicamp (Campinas/SP). É autor de muitos livros, 4 deles publicados no Brasil pela Editora Kapulana: O REI MOCHO, ORGIA DOS LOUCOS, GUNGUNHANA: UALALAPI E AS MULHERES DO IMPERADOR e o atual ASSIM NÃO SENHOR, PRESIDENTE!

Mariana Fujisawa - Artista plástica e Mestre em História da Arte pela Unifesp. Pesquisadora de artes africanas. Recebeu o prêmio de Melhor Dissertação de Mestrado 2024 (PPGHA-EEFLCH/UNIFESP): "Um pintor natural: construções da autenticidade a partir de Malangatana Valente Ngwenya". É autora da maior parte das capas dos livros da Editora Kapulana.

 

Detalhes do produto

  • Editora ‏ : ‎ Kapulana; 1º Edição; 17 março 2025
  • Idioma ‏ : ‎ Português do Brasil
  • Número de páginas ‏ : ‎ 274 páginas
  • ISBN: ‎ 9786587231372
  • Dimensões ‏ : ‎ 14 x 1.5 x 21 cm
  • Parte da série ‏ : ‎ Vozes da África

Assim não, senhor Presidente! - Ungulani Ba Ka Khosa

SKU: 9786587231372
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