Nono livro de poemas de um dos mais consagrados poetas, contistas e tradutores brasileiros em atividade, este volume traz Paulo Henriques Britto em sua melhor forma. Avesso ao sentimentalismo, aos arroubos, à autocomiseração, o autor criou uma poética extraordinária, com linguagem afiada e irônica, equilibrada entre o ceticismo e a descrença.
Embora os poemas de Paulo Henriques Britto sugiram resignação e pessimismo, uma segunda leitura pode revelar o sentido oposto. A própria insistência em escrever ― em tentar encaixar o mundo na forma fixa do verso ― opera como um “impulso visceral, orgânico,/ que mantém o cérebro ativo/ e combate ataques de pânico”. Como ele demonstra na série “Intransitivas”, a função terapêutica da poesia não pode ser descartada: “É palavra em lugar de droga,/ espécie incorpórea de ioga”.
Não se trata, é claro, de imaginar que o poema possa oferecer soluções para os problemas do mundo ou dar fim às nossas angústias individuais. Longe disso. Mas o humor mal-humorado e desesperançoso do poeta atesta que “o poema cria uma existência/ não real, mas não de todo improvável,/ uma presença falsa que compensa”. É nessa ausência, ou falsa presença, que a poesia mostra ser capaz de oferecer “o gosto, o som, a cor” e, assim, curiosamente, cumprir “o que promete”.
PAULO HENRIQUES BRITTO nasceu no Rio de Janeiro em 1951. É escritor, professor, tradutor e autor de livros de poesia, como Formas do nada (2012), Nenhum mistério (2018) e Fim de verão (2022), e de contos, como O castiçal florentino (2021). Recebeu os prêmios Portugal Telecom, APCA, Alphonsus de Guimaraens (duas vezes), Alceu Amoroso Lima, Bravo! Prime de Literatura e Jabuti. Em 2025, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras.
Detalhes do produto
- Editora : Companhia das Letras; 1ª Edição; 10 março 2026
- Idioma : Português do Brasil
- Número de páginas : 88 páginas
- ISBN: 9788535942873
- Dimensões : 14 x 0.8 x 21 cm
Embora: poemas - Paulo Henriques Britto
- Até 5 dias úteis.
































