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Meu caro, aproxima-te. Deixa-me contar-te uma história que não é para os fracos de coração. Não, não é mais uma daquelas coisas que se lêem em diagonal enquanto se rola o feed. É “Os Imortais”, da Paulliny Tort, e olha... isto é literatura com L grande, doa a quem doer.

 

A Tort, que já tinha dado provas com “Erva Brava”, pega agora numa ideia que, convenhamos, tinha tudo para dar para o torto: escrever um romance inteiro passado há 40 mil anos, num mundo anterior à linguagem como a conhecemos. E consegue. 

 

A história segue um clã de neandertais que anda a apanhar com tudo: fome, intempéries, invernos vulcânicos, a treta toda. Guiados pelo Homem, a Mulher e a Velha, arrastam-se por territórios hostis à procura de sobrevivência. Até que, numa cena que te vai deixar de queixo caído, o grupo entra em conflito com outro agrupamento e acaba por incorporar uma criança sapiens. Sim, levaste bem. Uma garota da nossa espécie, metida no meio daqueles que, segundo a história oficial, estavam condenados a desaparecer.

 

E é aqui que a coisa fica interessante. A Tort não se limita a fazer um documentário com pernas. Ela mete-se na cabeça daqueles seres, faz-nos ouvir os pensamentos deles, sentir o espanto diante do fogo, da morte, da doença. E, de repente, aqueles que costumamos chamar “homens das cavernas” começam a parecer-nos... familiares. Demasiado familiares.

 

Há violência, há ternura, há uma relação intrincada de intolerância e amor entre a menina e as figuras de autoridade do clã. Há guerra, feminicídio, escravização. E há, acima de tudo, uma pergunta que não te larga: quem são, afinal, os imortais? Nós, que sobrevivemos por um triz? Ou eles, que viveram e sentiram e desapareceram sem que ninguém lhes desse um nome?

 

O texto é cristalino, poético sem ser piegas, e tem uma qualidade sensorial que te faz sentir o cheiro da caverna e o sabor da carne de cavalo cozinhada durante um dia inteiro. Não há diálogos com travessões. Não há anacronismos. Não há a muleta fácil da prosa “instagramável”. Só há uma viagem.

 

Se precisas de escapar dos horrores do século XXI — e, convenhamos, quem não precisa? —, este é o livro. Leva-o para as férias. Leva-o para a cama. Leva-o para onde der. Mas lê-o com atenção, porque a Tort não escreveu isto para se ler em diagonal.

 

Paulliny Tort nasceu em Brasília (DF). É jornalista e mestre em comunicação e sociedade pela UnB. Erva brava (Fósforo), seu primeiro livro de contos, foi vencedor do prêmio APCA e finalista do Jabuti 2022. Estreou na literatura em 2016, com o romance Allegro ma non troppo (Oito e Meio, 2016), semifinalista do prêmio Oceanos de Literatura.

 

Detalhes do produto

  • Editora ‏ : ‎ Fósforo Editora
  • Data da publicação ‏ : ‎ 9 março 2026
  • Edição ‏ : ‎ 1ª
  • Idioma ‏ : ‎ Português do Brasil
  • Número de páginas ‏ : ‎ 232 páginas
  • ISBN-13 ‏ : ‎ 978-6560001770
  • Dimensões ‏ : ‎ 13.5 x 1 x 20 cm

Os imortais - Paulliny Tort

SKU: 9786560001770
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