Em seu quinto livro de memórias, Maya Angelou nos conta do período em que viveu em Gana, nos anos 1960, época em que muitos afro-americanos buscavam na África uma reconexão com suas raízes.
Maya tem a esperança de encontrar no continente africano o sentimento de pertença à terra de seus ancestrais. Com o tempo, porém, percebe que a ancestralidade em comum não é suficiente para apagar os efeitos da história ou garantir aceitação plena.
Entre momentos de acolhimento e frustração, Maya Angelou reflete sobre o que significa ser negra, americana, estrangeira e mãe, numa jornada sobre pertencimento, memória e reconciliação com as próprias origens.
“ ME DEITEI E BEBI POR MIM e por todos os órfãos sem nome da África que foram espalhados por todo o mundo.
Bebi e reconheci uma inveja ilimitada por aqueles que permaneceram no continente, por sorte ou deslealdade. Seus países tinham sido explorados e suas culturas tinham sido desacreditadas pelo colonialismo. Entretanto, eles podiam refletir a respeito de séculos de tradição graças a seus chefes e sacerdotes. O sujeito mais pobre podia recitar o nome de ancestrais que viveram há centenas de anos. A terra sobre a qual viviam tinha sido de posse do seu povo por tempos tão longínquos, que a memória não consegue alcançar. Apesar das amarras políticas e da exploração econômica, eles tinham preservado uma inocência inextirpável.
Eu duvidava se eu, ou qualquer outro negro da diáspora, poderia realmente voltar à África. Usávamos esqueletos de um velho desespero, como colares que anunciavam a nossa chegada, e éramos marcados pelo cinismo. Na América nós dançamos, rimos, procriamos, nos tornamos advogados, juízes, deputados, professores, médicos e pastores, mas, como sempre, sob nossos gloriosos disfarces, carregamos a insígnia de uma história bárbara costurada em nossas peles escuras.”
MAYA ANGELOU nasceu em St. Louis (EUA) em 1928. Foi cantora, dançarina, atriz, escritora, roteirista, produtora e diretora de teatro, cinema e TV. Publicou livros infantis, poemas, ensaios e autobiografias. Eu sei por que o pássaro canta na gaiola é o seu livro de memórias mais conhecido. Foi professora visitante em várias universidades e recebeu diversos títulos honorários. Em 1982, foi nomeada a primeira ocupante da Cátedra Reynolds de Estudos Americanos, da Wake Forest University, onde lecionou até a sua morte, em 2014. Toda sua produção é marcada pela luta contra o racismo e a violência de mulheres negras, transformando suas memórias pessoais em grito de resistência, superação e esperança.
Detalhes do produto
- Editora : Pallas; 1ªEdição; 29 dezembro 2025
- Idioma : Português do Brasil
- Número de páginas : 288 páginas
- ISBN: 9786556021928
- Dimensões : 13.5 x 1 x 20.5 cm
Todas as filhas de Deus precisam de bons sapatos para a estrada - Maya Angelou
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